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Tempo da Delicadeza

Amnésia – Flávio Cerqueira

Amnésia – Flávio Cerqueira

Amnésia - Flávio Cerqueira

 

 

Diante dos movimentos ocorridos durante a última semana, onde o mundo mostrou sua face indignada com o assassinato do americano George Floyd percebi que muitos brasileiros não exteriorizaram tamanha empatia com o trágico final de João Pedro, morto por uma operação policial, dias antes. Isto posto, não sei até que ponto esta fúria foi real, marketing ou mesmo, hipocrisia.

Imediatamente, me lembrei da obra “Amnésia”, do artista plástico Flávio Cerqueira, que em 2018 participou da exposição “Histórias afro-atlânticas” e hoje faz parte do acervo do Masp.

A escultura em bronze esculpida no tamanho real de uma criança negra, segura uma lata de tinta branca que derrama o material sobre seu corpo, mas que não é suficiente para cobri-lo por inteiro. A obra causou-me na ocasião, um tremendo impacto, seguido de uma grande tristeza. A partir de então, falar em racismo, tornou-se para mim inevitável fazer uma analogia com “Amnésia”, porque a arte é muito mais do que um objeto de contemplação e costuma nos deixar marcas indeléveis. Inspirada pela máxima de Ferreira Gullar: “A arte existe porque a vida não basta”.

O Brasil recebeu aproximadamente 46% dos cerca de 11 milhões dos negros provenientes da África. Fomos o último país da América Latina a abolir a escravidão, que perversamente, não previu um projeto de integração social, como desejava o abolicionista Joaquim Nabuco. Os negros conquistaram o fim da escravidão e não o direito a um pedaço de terra. Sem qualquer bem, continuaram prestando serviços a seus senhores de engenho, recebendo em troca apenas moradia e alimentos. Esta desigualdade social ecoa até os dias de hoje, fazendo com que o grande número de moradores de favelas e subempregos estejam associados aos afrodescendentes. Desta forma foi estabelecido o racismo institucional e portanto, é inegável que temos uma grande dívida moral com os negros.

Como seria maravilhoso se o mundo estivesse realmente mudando. Pensar e repensar, para chegar à conclusão de que muitos valores devem ser revistos. Nunca é tarde!!! Quem sabe um dia não existam mais João Pedros e Miguéis neste país.

 

Amnésia - Flávio Cerqueira

 

Flávio Cerqueira comenta sua obra intitulada Amnésia (2015)

Flávio Cerqueira fala sobre sua escultura, Amnésia (2015), em exposição no núcleo Retratos da mostra Histórias afro-atlânticas, em cartaz até 21/10/2018 no MASP e no Instituto Tomie Ohtake #históriasafroatlânticas #flaviocerqueira Visite: https://bit.ly/2GTP8Om

Publicado por MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand em Quinta-feira, 9 de agosto de 2018

 

Amnésia - Flávio Cerqueira

 

Flávio Cerqueira, nasceu em 1983 na cidade de São Paulo. O artista trabalha com o processo tradicional da escultura em bronze, abordando cenas cotidianas e temas áridos com delicadeza, leveza e doçura. Formado na Faculdade Paulista de Artes, Flávio realizou inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Sempre gostou de esculturas, mas foi em uma exposição de Rodin, na Pinacoteca de São Paulo, que o artista se apaixonou pelo bronze.

 

 

 

 

 

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